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PALAVRAS DE GRATIDÃO

Olá sou o Pietro, filho da Alessandra e Thiago, para quem não me conhece. Acho meio difícil você não ter ouvido nada sobre mim. Estou falando através das palavras do pastor Jeferson; por isso, me perdoem se eu não citar alguém. Afinal de contas, são muitas pessoas que tenho que agradecer. Gente a minha vida sempre foi uma loucura. Tudo foi e está sendo diferente.

Mesmo antes de nascer, eu sentia o amor e calor de muitas pessoas. Meus pais planejaram muito a minha vinda a este mundo. Eles planejaram tudo, e quando digo tudo é tudo mesmo, com um sentido de totalidade excessiva. O nosso Deus acompanhou cada passo de minha gestação. Ainda dentro da barriga da minha mãe, bem protegido e amparado, eu sentia a motivação, a expectativa e o carinho dos meus pais. Desde o dia da confirmação da gravidez, o louvor e a adoração na minha casa não cessaram. Os momentos de gratidão foram intensos, eu sentia a vibração e alegria da minha mamãe ao falar comigo.

Muitos pensam que as crianças, dentro da barriga das mamães, não escutam o que as pessoas estão dizendo. De lá de dentro eu sentia e ouvia as músicas que meus pais cantarolavam ao adorar a Deus, e sentia o carinho das mãos que alisavam a barriga da mamãe. Ao alisar a barriga eu sentia que eles queriam mesmo é tocar em meu rostinho. Meu papai, mamãe, irmãos e amigos não sabem o quanto eu me sinto amado. De vez em quando eu dava um chutinho lá dentro, só pra ninguém me esquecer, mas, hoje percebo que isso não era necessário, uma vez que me sinto amado a todo instante. Meu chute provocava correria e alegria.

A campanha para a compra do meu aparelhinho tem a temática “um real por um suspiro”, e cada vez que dou suspiro, eu sinto que alguém naquele exato momento está orando por mim. Em falar em oração, minha vida despertou muitas pessoas para a oração. Minha vida inspirou muitas pessoas a buscarem a espiritualidade através da oração em uma sociedade que por vezes despreza a piedade. Minha vida fez de meus pais, pessoas de oração (eles nunca oraram tanto). Minha família intercedia dia após dia por minha vida e pela minha recuperação. Pessoas distantes se uniam em orações e preces por minha vida. Pessoas de todos os cantos do Brasil. Meu nome extrapolou a cidade de Sorocaba.

O que dizer da minha comunidade de fé (IBCS), onde meus pais servem ao Senhor; quantos irmãos e irmãs oraram e oram por mim. A minha vida fez com que pessoas acordassem mais cedo (até mesmo de madrugada) para interceder por mim, pessoas que separaram tempo diariamente para clamar por mim, pessoas que pediam oração nos grupos e pessoas que nunca se esqueciam de colocar meu nome em oração. Meu nome era, e ainda é unanimidade nos cultos de oração. Fiquei famoso! Eu sou um bebê famoso; mas, não para mim mesmo, para a Glória de Deus. Apareci na televisão, meus pais deram entrevista e saí até no jornal. Meu site, muito bem feito pelo Johannes, é um sucesso, sempre tem alguém olhando as minhas notícias. Minha página do orkut é um sucesso só, entre lá para você ver: tá “bombando”.

Minha vida fez com que algumas igrejas se unissem em um único propósito: buscar a Deus em oração. Irmãos que há tempos não se viam cada qual servindo a Deus em sua igreja, se encontraram na minha casa, quando visitavam meus pais; irmãos que se encontraram no hospital quando iam me ver. Muitos irmãos (ãs) de diversas igrejas oraram por mim, formando uma rede de comunhão. Por alguns momentos, a minha vida, fez com que as pessoas esquecessem as “placas” das igrejas e adorassem o autor da vida. Em falar em irmãos (ãs) queridos (as), eu nunca fiquei no hospital sozinho, as pessoas amadas se revezavam. Surgiam do nada. Pessoas dispostas a ajudar. Teve até escala para controlar as pessoas que iam ficar comigo. Aliás, se tem uma coisa que não posso reclamar nunca nessa vida é de solidão. Sempre estive e estou amparado e cercado de pessoas. O calor humano não tem preço e por isso não se encontra na farmácia. Amor não é produto, é devoção e entrega.

Ainda na barriga eu era vigiado o tempo todo pelos meus pais, pela família e amigos. Família é uma pequena palavra que abraça tantos sentimentos. Quando falo em família penso em todos, não me esqueci de nenhuma fisionomia. Minha família deu uma demonstração de união e compaixão. Eu vi meus tios e tias, primos e primas, amigos (as) da mamãe e do papai em busca de informações. Minha tia Rosaninha, quase nem trabalhava mais, só queria ficar comigo. Minha vovó dedicou muitas horas para me ver melhor. Ela promoveu campanhas para arrecadar recursos para comprar o meu concentrador de oxigênio. Em falar em campanha, como as pessoas se compadeceram de mim. Houve também a campanha do sorvete, que foi um sucesso. Vendemos tudo o que tinha. Ainda faltou. Se tivesse mais, seria vendido. Quantas doações! Recebi tanta coisa e de pessoas diversas. Pessoas conhecidas e amigas, pessoas desconhecidas movidas pelo desejo de ajudar o próximo, pessoas que eu nem imaginava, pessoas que tinham recursos, e pessoas que se esforçaram e me ajudaram mesmo com um orçamento familiar apertado. Quanta campanha! O povo gosta de trabalhar em prol do bem-estar do próximo. O amor ao próximo está em extinção, mas, mesmo assim, eu senti o amor de muitos.

A galera jovem da igreja foi cantar no hospital para mim! Eles cantaram tão lindo! Tão lindo, que o pastor Jeferson agora é convidado a levar a juventude da igreja para cantar para outros pacientes. Através dessa visita, o pastor Jeferson e sua esposa, estão fazendo um trabalho especial no hospital onde fiquei por alguns meses. Eles sempre iam me ver. O pastor Natanael sempre aparecia por lá para me ver também. Mesmos se os pastores não pudessem ir ao hospital, eu sabia que eles oravam por mim e sempre estavam preocupados com minha saúde. O que dizer da juventude da igreja (IBCS), que depois de um dia todo de trabalho e estudo, se reuniam para produzir ovos de chocolates e bombons para vender. Valeu galera jovem, vocês são demais! Uma galera jovem servindo a Deus, uma geração santa e relevante. Geração que organizou esse culto de gratidão.

Quando nasci, uma equipe médica me cercava 24 horas por dia. Ufa quanta gente me olhando! Se o dia tivesse 25 horas sei que a dedicação seria a mesma. Os médicos, enfermeiros fisioterapeutas, atendentes, fonoaudiólogos, faxineiros, família, igrejas, pastores, irmãos, “colegas de UTI”, “ colegas de quarto”, sempre estavam por perto. Meu pai quase endoidou: tinha que trabalhar, cuidar da casa, cuidar da minha mãe e ainda ficar comigo no hospital. Quanta dedicação! Meu pai é especial! O que dizer da esperança. Só quem nasce em um lar cristão, sabe mesmo o que é esperança. Eu sou fruto de esperança. Ainda vivo “anestesiado” pela esperança. Tenho esperança de um dia poder agradecer a todos, que de alguma forma demonstraram amor por mim. A esperança não nos tira da realidade, só nos motiva a olharmos para Deus e seu amor eterno com expectativas saudáveis. Esperança é ter a expectativa que tudo irá melhorar que tudo vai dar certo, que as coisas vão se encaixando conforme a vontade soberana de Deus.

Vocês não imaginam a alegria da minha mãe quando ela viu o meu primeiro sorriso, meu primeiro gesto com a mãozinha, meu primeiro dentinho nascendo. Tudo virava festa. Vocês não têm idéia de como meu pai me ensinou a mostrar o xulé, é isso mesmo, o meu pezinho. Eu não tenho xulé, meu pé é limpinho e cheiroso, algumas pessoas até beijam meu xulezinho (meu pezinho). A Nathalia sempre quis morder meu pé, ela acha meu pé gordinho. Já o pastor Jeferson sempre quis morder minhas cochas ou dar um apertão nas minhas bochechas.
O que dizer da minha amiga Jamine. Ela foi uma bênção na minha vida. Parecia até que ela era minha mãe. Ela cuidou de mim de uma forma fantástica. Ela não dormia, e quando cochilava acordava assustada e preocupada. Ela ficava com os olhos atentos nos aparelhos, e nunca faltava. Ela gostava tanto de mim, que até sentia o cheiro da minha fraldinha carregada. Vê se pode gente. É isso mesmo! Que gosto estranho né! Coisa de quem ama. Ela cantava muitas músicas para mim. Tive musicalização infantil personalizada. Eu era aluno vip! Chique né! Só pra quem pode! Valeu Jan!

Gente: tenho algo a dizer. A minha vinda a esse mundo trouxe um grande benéfico para as operadoras de celular e para a Telefônica. Vocês não imaginam o quanto o telefone de minha casa tocou e toca. O celular não parava um minuto. O celular vivia no carregador (parecia telefone fixo). Pois é, sempre meus pais estavam ao telefone, com alguém pedindo notícias. Nem sempre as informações eram animadoras, mas o povo é crente mesmo: ligavam sem parar. Quando as notícias eram boas, as pessoas se alegravam do outro lado da linha; e quando não tinham notícias (pois não é sempre que se têm novidades), ou quando o quadro permanecia estável, as pessoas animavam meus pais com palavras de fé e esperança.
Bom mesmo foi ir pra casa. Ah que delícia! Meu pai havia preparado o quarto bem antes deu nascer; mas, só fui conhecê-lo meses depois. Foi bom, deu tempo para meu pai arrumar os últimos detalhes. Meu quarto é personalizado. Tem muitos detalhes em azul, uma beleza. Tem desenhos para todo lado, tem até um fusquinha, para alegria do pastor Jeferson. Tudo tem meu nome. Literalmente é o meu quarto. Tem até o símbolo do São Paulo Futebol Clube, já nasci inteligente (risos), vê se pode.

Ainda não posso falar, mas seu pudesse, ou melhor, quando eu puder, vou agradecer às pessoas que faziam comida para meu papai e mamãe, enquanto eles cuidavam de mim. Meus pais se dedicavam a mim, e os irmãos (ãs) da igreja se dedicavam a eles. Uma parceria de amor: mutualidade cristã. Hoje sei o porquê do meu nome. Meus pais escolheram bem. Pietro significa rocha, algo sólido e firme. Meu nome revela muito sobre mim. Sou rocha, mas nessa hora eu me amoleço e agradeço a Deus a todos que de alguma forma me ajudaram. Obrigado. Minha gratidão é eterna. Em falar em eternidade, que o Deus eterno derrame as vossas bênçãos sobre todos nós. Obrigado é que sei dizer nessa hora. Amém.


Com carinho









Pr. Jeferson Rodolfo Cristianini