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CANTO E LOUVOR
Quem canta seus males espanta. Essa frase é um dos ditados populares mais citados. É comum ouvirmos esse ditado quando alguém está cantarolando ou assoviando uma canção. A felicidade e o desejo de cantar independem muitas vezes das situações da vida. A idéia que se passa com esse ditado é que as dificuldades da vida, os sofrimentos diários, os problemas, as lutas, os obstáculos, são suavizados ao cantar uma canção. A música, nessa idéia, tem a função de disfarçar ou tirar do foco os dilemas que a pessoa está enfrentando. A música tem um poder enorme em nós. Algumas músicas incitam a violência, outras nos fazem chorar, outras nos lembram de uma pessoa querida ou de algum bom momento do passado, outras estimulam nossos sentimentos, outras causam reflexões profundas em nós, e outras ainda, regam a nossa fé e consola o nosso coração carente da graça de Deus.

Folheando uma revista me deparei com uma notícia que me cativou para a leitura. A revista Viva Saúde (nº3/ março 2009, pag 28) traz uma reportagem pequena dizendo do benefício do canto. É isso mesmo, é bom cantar! Como estou fazendo um tratamento relacionado à voz, o assunto me chamou a atenção. A reportagem relata que soltar a voz faz bem à saúde. Cantar com freqüência melhora nossa qualidade de vida e ajuda muito a preservar a pressão expiratória em pessoas com doenças pulmonares ou com tendência. O canto fortalece o funcionamento pulmonar e ajuda todo o aparelho respiratório. As pessoas que fizeram aula de canto regularmente, durante essa pesquisa, demonstraram um avanço na qualidade da respiração e uma melhora substancial na qualidade vocal.

Isso nós já sabemos ou até mesmo constatamos. É muito bom lembrar-se de um hino ao amanhecer, ou alguma música que refrigera nossa alma em um dia de preocupações. É bom quando o louvor brota de nossos lábios, independentemente da situação que estamos vivendo. A música faz bem para quem ouve e para quem canta. O povo de Israel cantou após ver as carruagens sendo tragados pelo mar. Os egípcios pereceram no mar, enquanto o povo de Deus passava pelo mar como se fosse terra seca. Aí eles cantaram assim: “Cantarei ao Senhor, porque triunfou gloriosamente; lançou no mar o cavalo e seu cavaleiro. O Senhor é minha força e o meu cântico; ele me foi por salvação; este é o meu Deus; portanto, eu o louvarei...” (Ex 15:2).

Quando Davi conseguiu trazer a arca da aliança novamente para Jerusalém, ele convoca os levitas e Asafe (com seus filhos) para cantarem hinos. Deus é a motivação, ao mesmo tempo em que é o adorado, e eles falam assim: “Cantai-lhe, cantai-lhe salmos; narrai todas as suas maravilhas. Gloriai-vos no seu santo nome; alegre-se o coração dos que buscam o Senhor” (I Cr 16:9-10). Os filhos de Asafe, mais uma vez estão louvando a Deus, quando os alicerces do templo são lançados. A alegria foi revertida em música: “cantavam alternadamente, louvando e rendendo graças ao Senhor, com estas palavras: Ele é bom, porque a sua misericórdia dura para sempre... e todo Israel jubilou com altas vozes, louvando ao Senhor por se terem lançado os alicerces da sua casa” (Ed 3:11). Quando Deus está respondendo o questionário feito por Jó, Ele nos diz que até as estrelas da alva cantavam unidas diante do Criador (Jó 38:7).

O livro de Salmos está repleto de expressões de louvor e gratidão a Deus: “Cantarei ao Senhor, porquanto me tem feito muito bem” (Sl 13:6), “celebrai a Deus com vozes júbilo” (Sl 47:1), “salmodiai a glória do seu nome, daí glória ao seu louvor” (SL 66:2), “cantarei da bondade e a justiça” (Sl 101:1), “cantarei ao Senhor enquanto eu viver; cantarei louvores ao meu Deus durante a minha vida” (Sl 104:33), “não a nós, Senhor, não a nós, mas ao teu nome dá glória, por amor da tua misericórdia e da tua fidelidade” (Sl 115:1).

Paulo e Silas estavam presos por pregarem o evangelho. A propagação do evangelho era ilegal, e por isso eles estavam encarcerados; mas a meia- noite ao invés de lamentar, chorar, eles oram e cantam. A motivação para o canto não era para se livrar do mal, mas para glorificar a Deus e demonstrar confiança Nele. Esse mesmo Paulo, depois escreve que devemos louvar o Senhor com hinos e cânticos espirituais (Ef 5:19). O nosso mestre Jesus, depois de cear cantou um hino (Mt 26: 30). Ele sempre dava graças a Deus. O louvor fazia parte de sua vida, assim como deve fazer da nossa. Nossa vida há de ser louvor a Deus.

O ditado popular ensina que cantar espanta os males, a medicina ensina que cantar espanta as doenças pulmonares, e a Bíblia ensina que cantar nos aproxima do nosso criador. Fomos criados para glorificar o nosso Deus, e uma das formas para honrarmos a Ele é cantando aquilo que Ele é, o que Ele fez por nós e através de nós, e pelo que Ele representa para nós. Só nos resta louvarmos ao Senhor! Cantemos a Deus e para Deus sempre!



Pr. Jeferson Rodolfo Cristianini