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O GRANDE RESGATE
Na minha infância por algumas vezes quis ser bombeiro. Sempre achei o máximo ver aqueles homens dedicarem suas vidas na missão de salvar outras. Um amigo me disse dia desses que não fui vocacionado para ser bombeiro, mas para ser pastor. Bombeiro e pastor é quase a mesma coisa, tem a mesma função: salvar vidas. O bombeiro salva o corpo diante da morte (vida física) e, o pastor busca salvar almas (vida eterna). Graças dou por Jesus, que é o nosso Sumo Pastor (1 Pe 5:4). Nessas duas últimas semanas nossos olhos foram direcionados para o Haiti. O exército brasileiro contabiliza os soldados mortos, o governo computa os mortos e feridos, e o mundo assiste e envia ajuda.
Na última terça-feira (20/01/2010), os telejornais mostraram uma senhora de mais de setenta anos que ficara por uma semana soterrada, mas que lutou incessantemente para continuar vivendo. Cada respiração era uma vitória, dessa a mulher. O mais lindo desse salvamento foi ver o bombeiro americano chorando aos prantos por encontrá-la com vida. Chorei com o bombeiro. A atitude dele confirmou minha vocação e meu engajamento na obra de Deus. Para muitos aquela mulher seria mais um número nas estatísticas; mas para o bombeiro não. Para o bombeiro aquela mulher valia muito mais do que um número estatístico, talvez ele soubesse que Jesus nos ensinou que uma alma vale mais do que toda riqueza desse mundo. Que salário seria justo para o bombeiro que deixou seu país, sua família, arriscou sua própria vida para salvar uma mulher? Nenhum! Talvez a alegria de salvar alguém, seja seu salário, sua recompensa. Aquele homem arriscou sua vida para resgatar uma pessoa desconhecida. Ele ficou mais de dez horas sem se alimentar, para encontrar uma mulher que há dias não se alimentava. A vida da outra pessoa é mais importante, para aquele que está salvando, do que a sua própria existência. Aqueles que trabalham salvando vidas sabem que a vítima não pode morrer, mas quem salva sim.
Olhando o choro de alegria daquele bombeiro diante de mais um salvamento, lembrei-me que preciso continuar pregando, ensinando, estimulando e orientando as ovelhas (e amigos), para que alguns encontrem o caminho da salvação. Vendo o Haiti e suas notícias, lembrei-me mesmo é de Deus e do Seu amor eterno. Ao olhar os bombeiros trabalhando no meio dos escombros, lembrei-me de Jesus. A humanidade perdida se parece com o Haiti: o desespero é assustador, as lágrimas incontroláveis, as mortes inevitáveis, a fome insaciável, os gritos desesperadores, a dor que não cessa. O tremor de terras no Haiti paralisou o mundo. Nunca tantas lentes, tantos repórteres. Nunca houve tanta movimentação naquele país. Pessoas que eram e sempre foram desprezadas por boa parte do mundo, agora tem destaque mundial. Pessoas que viviam e continuarão vivendo em guerra civil. Um país sem grandes perspectivas de avanço social.
Sem recursos, Haiti demorará em se reconstruir. A catástrofe fez ressurgir na humanidade, mesmo que por alguns instantes, um olhar mais humano, um olhar regado de compaixão. Ficamos sensibilizados com a dor, com o sofrimento daquele povo. Paramos, olhamos, refletimos, choramos junto com eles e oramos por eles. Os noticiários nos falam de mais de 75 mil mortos, e mais de 250 mil pessoas feridas. Os mortos ficaram jogados nas esquinas até apodrecerem- o cheiro é insuportável- a poeira é enorme e sufocante, os riscos de uma epidemia generalizada causam grande temor. A dor e a fome são latentes na população sobrevivente. Essa tragédia não foi um atentado terrorista, não foi provocado por um homem bomba, mas pela natureza. Os ambientalistas terão uma lista de fatores climáticos que favoreceram esse terremoto- um dos mais agressivos ao longo da história da humanidade. Alguns religiosos optarão e oferecerão uma porção de textos bíblicos mostrando que a tragédia é fruto do pecado e, que o final dos tempos está se aproximando. Algumas pessoas dirão que essa tragédia é uma forma de punição de Deus para um povo distante dEle. Muitas são as abordagens. As interpretações são múltiplas. Diante da tragédia, a vida se “refaz”, os sobreviventes nos ensinam isso. Muitas pessoas morreram, as que estão feridas esperam um tratamento, e ainda existem aquelas pessoas que ainda soterradas clamam por socorro.
Uma das coisas mais terríveis no Haiti nesses dias, segundo os jornalistas, é ouvir as pessoas gritando e pedindo por socorro. Os gritos são altos e constantes. Ecoam. São pessoas que lutam para continuar vivendo, pessoas que valorizam a vida mesmo quando ela está se findando, pessoas que lutam e não se entregam. Pessoas que demonstram amar muito a vida, pessoas celebram a vida diante da iminência da morte. Pessoas soterradas minimizam a dor e maximizam a esperança.
Jesus é o nosso bombeiro. No meio de tanta desgraça, de tanta tragédia, de tanta dor e sofrimento, lá está Jesus salvando vidas. A humanidade perdida é o campo de atuação de Jesus. Ao invés de uma roupa especial de salvamento, Ele veste uma roupa comum; Ele não tem aparelhos sofisticados; mas tem o discurso eterno; Ele não usou e nem usa carros especiais (quando precisou se locomover, Ele usou um jumento emprestado); Ele não tinha nenhuma sirene para demonstrar a urgência do salvamento, mas chorava e lamentava ao ver a conseqüência do pecado impressos na humanidade. Ele mesmo declarou assim: “Porque o Filho do Homem também, não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos” (Mc 10:45). Jesus veio a esse mundo perdido, mundo violento, mundo caótico, mundo desumano, mundo sem esperança, simplesmente para nos salvar. Quando nosso Mestre nasceu numa manjedoura, num estábulo qualquer, começava-se a história do grande resgate. Jesus nasceu e depois morreu para cumprir sua missão e demonstrar o amor redentor do Pai.
Ele cumpre o propósito de Deus de forma cabal, Ele levou Sua missão até as últimas conseqüências. Amou a humanidade até o fim, até a morte, e morte de cruz. No caminho para a cruz; Ele sente o desprezo de seus discípulos que o abandonaram (as mulheres não O abandonaram, ficaram aos pés da cruz); Ele sente a dor de ser traído por um beijo; Ele sofre com a ingratidão da multidão que momentos antes estavam dizendo que Ele era o Filho de Deus; Ele sofre ao ver a hipocrisia dos escribas e fariseus que sabiam tudo da Lei de Deus, mas que fizeram parte do coro dizendo: crucifica-o; Ele sofre as dores físicas ao receber a cruz pesada para carregar até o gólgota, Ele sofre com a coroa de espinhos sendo penetrada em sua cabeça e as gotas de sangue se escorrendo pelo Seu rosto; Ele sente sede, mas recebe uma esponja com vinagre; Ele sofre com os insultos dos soldados, com a cusparada no rosto, com a repugnância, com a descrença, mas ama a todos. Jesus sofre tudo isso, mas suporta por amor a você e a mim. Ele se esvazia de sua divindade para cumprir a vontade do Pai: salvar a humanidade perdida. Ele vai às últimas conseqüências para dizer o quanto sua vida é especial para Deus. Jesus é o nosso bombeiro, que se alegra ao nos salvar. Somos como troféus em suas mãos. Quando Jesus salva alguém do castigo eterno, os céus começam a festejar por mais um pecador que se arrependeu. A igreja como representante de Deus aqui na terra, não pode ter outra mensagem a não ser essa que diz que Jesus “se deu a si mesmo em resgate de todos” (1 Tm 2:6). Jesus me resgatou e agora também sou bombeiro. Ser cristão é seguir os seus passos, então depois de resgatados vamos resgatar outras almas. Jesus é o bombeiro... eis que o bombeiro saiu para resgatar almas...eis então o grande resgate...

Pr. Jeferson Rodolfo Cristianini