Home Cadastre-se Contato
IGREJA, LUGAR DE CRESCIMENTO
A Igreja oferece a seus membros oportunidades ímpares de crescimento. Ao crermos em Cristo, somos desafiados a crescer na compreensão da Graça salvífica de Jesus Cristo. Inexplicável o amor de Deus. Insondável a sua misericórdia para com o pecador perdido. Sem nenhum mérito nosso o Espírito Santo se encarrega de nos convencer do pecado e suas terríveis consequências. Esse convencimento, na maioria dos casos, é persistente e demorado. Por natureza o pecado nos torna rebeldes e recalcitrantes. Insistimos em não crer. Tentamos elaborar o nosso próprio plano de salvação. Usamos todos os esforços para não aceitar o auxílio do Espírito Santo. Mas Deus não desiste.
Uma vez salvos inicia-se o processo da santificação. Lento e demorado. Com elevada paciência Deus atua em burilar e afastar as arestas deixadas pelo pecado. Após anos de vida cristã, alguns de nós, continuamos como projeto capenga e inacabado. Somos obrigados a confessar que ainda não alcançamos o alvo Divino para nossas vidas. As consequências no Reino de Deus são desastrosas.
Neste caminhar da santificação a Igreja exerce papel fundamental. Recebemos a explanação dos textos bíblicos. Claro que a verdadeira Igreja, não sobrevive sem a exposição bíblica. A Bíblia é o fulcro central da ministração. Todo culto tem como base a mensagem bíblica. Sem esta, não há como adorar. Louvar. Ministrar aos salvos e propagar as verdades divinas aos pecadores, não convertidos. O desafio na área da adoração e culto é inesgotável. Nunca atingiremos o zênite do viver cristão. Paulo, apóstolo, corrobora esta assertiva ao escrever Aos Filipenses 3:9-10. A Graça que o alcançou, podia ser explicada pela transformação efetuada na sua miserável vida de religioso, sincero e orgulhoso. Queria chegar a Deus por méritos próprios. Uma vez convertido, descobre que só a Graça conseguiu realizar o que o seu currículo de bom religioso jamais lhe proporcionou. São belos os seus textos sobre a compreensão da Graça. Mas havia algo que ainda lhe era mistério. O poder da Ressurreição de Cristo, Fp 3:10. Poder, esse, que lhe dava garantia de ressurgir um dia com corpo glorificado. Humilde, o apóstolo confessa: “Ainda não alcancei tal compreensão. Mas prossigo” Fp 3:11-14. Quem consegue confessar compreensão plena do poder da ressurreição? Corpo mortal transformado em corpo glorioso, Fp 3:21. Um milênio de vida cristã e estudo sério da Bíblia, ainda é pouco para compreendermos essa santa verdade. Precisamos crescer. A Igreja proporciona oportunidade aos salvos para crescer.
Há, no entanto, uma área de crescimento, oferecida pela Igreja a seus membros, que é menos misteriosa, embora não fácil de ser aprovada. São muitos os salvos que já foram e estão sendo reprovados nesta matéria. Trata-se do nosso viver relacional. Isto é, como vivemos e aceitamos os demais membros do corpo de Cristo. O fracasso nos relacionamentos tem gerado feridas profundas no seio da Igreja de Cristo. Às vezes somos bons na pregação. No ensino. Alguns poucos no sustento da causa. No louvor. Na Teologia. Na defesa da boa doutrina. Na eclesiologia. Nos cultos bem elaborados. Somos mestres no fazer bem feito. Mas no relacionamento com os demais salvos, ainda estamos no berçário. Alguns engatinham no maternal, mas não conseguem ficar em pé. Basta ocorrer algo que não nos agrade, ou que não é feito do nosso jeito, e lá vem desavença.
Ausência de crescimento nessa área é milenar. Uma leitura, com atenção, das cartas do Novo Testamento, revela-nos que o problema sempre existiu. Hoje mais acentuado, o que testifica a necessidade de crescimento.
Tiago exorta os salvos a não falar mal dos irmãos, Tg 4:11. Nas Igrejas da Galácia havia salvos que se mordiam, Gl 5:15. Em Corinto os salvos brigavam na justiça, I Co 6:1. Além dos grupos espirituais, que buscavam a supremacia na Igreja, I Cor 1:10-14. Em Éfeso, o apóstolo João fala de um membro da Igreja que rasgava suas cartas, III Jo 9. Em Roma os salvos eram julgados pelo que comiam; Rm 14. Em Filipos as duas líderes da MCA não se bicavam, Fp 4:2. No grupo apostólico Jesus teve que puxar as orelhas dos que desejavam supremacia, Mt 20:26. Os exemplos se multiplicam. O vírus diabólico chegou aos nossos dias. Pelo tempo e pela busca de maior compreensão do Evangelho, tais atitudes deveriam estar erradicadas das Igrejas. Não estão. Ao contrário, aumentaram.
Aos membros da Igreja são oferecidas oportunidades para crescer nos relacionamentos pessoais. Os salvos temos a nosso dispor oportunidade impar de mostrar, neste século de tantas descobertas, que é possível viver a oração de Jesus, Jo 17, em sua inteireza. Além do conhecimento bíblico, temos hoje elevado avanço na compreensão da natureza humana. Basta um pouco de humildade e submissão aos ensinos de Jesus.
Aceitar cada pessoa na sua individualidade. Única no Universo criado por Deus. Cada um de nós possui um DNA exclusivo, que não se mescla e não se iguala aos demais seres humanos. Somos semelhantes, mas não somos iguais. Cada pessoa possui uma história singular que precisa ser respeitada na convivência diária. Isto inclui a nossa origem. A educação que recebemos. Os embates que enfrentamos para sobreviver e alcançar nossos sonhos. As feridas e flores que a vida nos ofereceu no caminhar diário. Grau de percepção que temos das coisas e dos acontecimentos que nos envolvem. A fragilidade física de cada um. “Alguns pela sua robustez passam dos oitenta...” diz o salmista, Sl 90:10. Mas a maioria não chega aos setenta anos. Até no morrer somos diferentes. Apenas os salvos possuímos em comum a verdade de que o morrer em Cristo é ganho, Fp 1:21. Somos pessoas diferentes. Às vezes com objetivos comuns. Mas ao trabalharmos para alcançá-los usamos logística diferenciada.
A Igreja agrega a todos com amor. Oferece a todos a oportunidade de crescer. Na chatice daquela(e) irmã(o) que tenta fazer diferente está a oportunidade de crescer a cada dia.
Amo a Igreja. Ela tem me permitido crescer na comunhão com Deus, com os irmãos, que nada entendem de comunhão e na difícil arte de perdoar sempre. Ao tentar compreender o “mundo” de cada um, sou desafiado a seguir o exemplo de Jesus: Desenvolver a capacidade de amar. Até mesmo quando o resultado é a experiência de II Co 12:15. Quanto mais se ama, menos amor recebemos. Cresço na oportunidade de otimizar com maior clareza o amor pelas pessoas. A Igreja me concede esta oportunidade. Crescer.



www.pastorjuliosanches.org