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EM MEMÓRIA DE MIM
Sem dúvida, uma das coisas que mais me impressionam no Evang...
O Cristianismo se destaca e se impõe por sua clareza e simplicidade. O projeto salvífico realizado por Jesus Cristo é de fácil compreensão. Até mesmo as crianças, em tenra idade, conseguem crer e compreender o plano de salvação. A graça oferecida por Deus é clara. A fé simples na pessoa de Jesus Cristo nos dá a garantia da salvação pessoal.
As doutrinas bíblicas são simples e objetivas. Não há um emaranhado de normas a serem cumpridas pelo cristão verdadeiro. Não há dúvidas quanto ao destino futuro de sua alma. Uma vez salvo, salvo para sempre. Não persistem dúvidas quanto à segurança eterna.
Não há mandamentos complicados no Cristianismo. Jesus resumiu todos os mandamentos do Velho Testamento, da Lei mosaica, alterada e complicada pelos religiosos do seu tempo, em apenas um mandamento.
“Um novo mandamento vos dou. Que vos ameis uns aos outros, como eu vos amei a vós, que vós uns aos outros vos ameis. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos (cristãos), se vos amardes uns aos outros” Jo 13:34-35. Ai está a essência da vida cristã. Nada mais a acrescentar. Nenhum preceito mais a ser observado. Esta verdade levou o apóstolo João a sumariar a fé e práticas cristãs: “Nisto conhecemos que amamos os filhos de Deus, quando amamos a Deus e guardamos os seus mandamentos. Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos. E os seus mandamentos não são pesados” I Jo 5:2-3.
Erram aqueles que fazem da vida cristã um fardo insuportável. Impõem normas aos seus seguidores. Estabelecem condições e mais condições para se alcançar a salvação. O amor é a súmula simples da verdadeira experiência com Cristo. Nada mais a acrescentar. Nada a ser exigido do salvo. Apenas que reflita a beleza do amor de Cristo, que o envolve a cada instante, no seu viver diário. Quem ama cumpriu a Lei sentencia Paulo aos Romanos 13:8. Louvado seja Deus pela simplicidade dos seus mandamentos.
Jesus deixou-nos apenas duas ordenanças: Batismo e Ceia. Ao Batismo devem se submeter todos aqueles que O aceitam como Salvador e Senhor. É o testemunho público de que a vida passou por radical transformação espiritual. Seu simbolismo simples testemunha o antes e o depois da salvação. O Batismo nada acrescenta à salvação. Não garante nenhum mérito. Testifica que o batizando crê em Cristo como seu único e exclusivo salvador. Diz do compromisso em seguir a Cristo e proporciona ao salvo o privilégio de ingressar na Igreja visível. No Batismo confessamos publicamente que os nossos pecados foram perdoados, no momento em que pela fé aceitamos a Cristo. Pecados perdoados. Pecados sepultados. Em Cristo passamos a viver a novidade de vida que o Cristianismo nos proporciona. Por isso só devem ser batizados aqueles que testemunham radial mudança de vida em Cristo. Batismo com outros adereços nada significa. Pessoas batizadas num contexto doutrinário em que se perde a salvação ou é a garantia da salvação não passaram pelo batismo, ordenança deixada por Jesus. A certeza está em Cristo, jamais no batismo. Milhões de pessoas foram e são salvas sem jamais passar pelo batismo.
A Ceia do Senhor é a outra ordenança deixada por Jesus para os salvos, já batizados. Como ordenança, a Ceia não tem méritos sacramentais. Logo não se diz a “santa ceia”. Apenas Ceia do Senhor. Como no Batismo, a Ceia sofre de interpretações espúrias ao exposto por Jesus. Seus elementos, pão e vinho, não geram e não garantem bênçãos aos participantes. Não os santifica e tampouco tem o poder de acrescentar-lhes qualquer virtude espiritual. Nada há de místico nos elementos em si. Pão continua pão, sendo asmo ou não. O vinho continua vinho, sem nenhum acréscimo químico ou espiritual. A santidade não é produto da Ceia, mas da ação do Espírito Santo na vida do salvo que a busca com seriedade.
O pão lembra o corpo de Cristo oferecido na cruz por nossos pecados. O vinho traz à memória o seu sangue derramado para remir-nos do pecado. Por isso a Ceia do Senhor é exclusiva dos salvos, enquanto Igreja reunida. Cabe a Igreja ministrá-la. Não pertence à Igreja, tampouco ao celebrante, autorizado pela Igreja. É do Senhor. Sendo do Senhor não posso oferecê-la a quem não crê e não aceita o que a Bíblia ensina sobre a Ceia.
A divergência de interpretação sobre o significado da Ceia do Senhor, coíbe a Igreja de oferecê-la a qualquer pessoa que se diz cristã, mas não comunga com as doutrinas aceitas pela grei. Pode até ser cristão, mas se participa da Ceia para obter bênçãos, méritos, santidade, purificação dos pecados, experiências místicas com Cristo, e uma série infinda de errôneas interpretações, não há como participar.
À Igreja cabe zelar para que seus membros participem com a devida compreensão do seu significado. A gama de interpretações que pululam no mercado evangélico, impede a Igreja de oferecer a Ceia a quem a interpreta de modo não bíblico. Não basta ser irmão. É necessário que os participantes comunguem a mesma compreensão. A mesma doutrina. Respeitamos os que crêem diferente. Advogamos o direito e a liberdade de outras interpretações, mas não comungamos da mesma mesa. Isto não diminui o apreço que devotamos aos demais evangélicos, mas cremos de modo diferente. Não levamos a Ceia do Senhor aos enfermos em hospitais ou lares. A Ceia há que ser celebrada pela Igreja reunida. Os que assim procedem deixam transparecer o ranço católico do sacramento.
Ao celebrarmos a Ceia do Senhor, como memorial, reafirmamos a convicção da nossa salvação exclusivamente em Cristo. A Ceia do Senhor deve ser celebrada pela Igreja, corpo de Cristo. A Igreja reunida ao celebrá-la rememora o sacrifício salvifico de Cristo e reaviva a expectativa da volta de Cristo. A Igreja como Igreja há que celebrá-la com profunda gratidão por tão grande salvação.


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Julio Oliveira Sanches